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CRÍTICAS

‘Dois Estranhos’ critica relação abusiva de policiais contra negros

Com um drama atual, o curta choca, mas não se aprofunda no verdadeiro problema: a criminalidade policial

Se você está cansado de ser bombardeado diariamente com notícias de negros morrendo ou tendo encontros violentos com a polícia: não assista ‘Dois Estranhos’. Isto pode ser um gatilho, especialmente se você for uma pessoa negra. O co-diretor e roteirista Travon Free, um homem negro, foi o responsável pela produção que vem dando o que falar desde que foi lançado, em 2020. 

O curta-metragem, de apenas 32 minutos, impossibilita quem o assiste, a não igualar o ‘loop’ temporal do personagem Carter James com o nosso sistema policial. Pesquisando um pouco, podemos confirmar que os policiais brasileiros estão entre os mais brutais quando o assunto é violência contra negros. Uma pesquisa feita pelo G1 no Monitor da Violência, uma parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública e o Núcleo de Estudos da Violência da USP, revelou que 78% dos mortos pelas polícias no Brasil são negros.

SINOPSE DE ‘DOIS ESTRANHOS’

A premissa básica do filme é simples: Carter James, interpretado pelo rapper e ator Joey Badass, tem um sonho recorrente em que sempre é assassinado pela polícia de diferentes formas. O curta utiliza da técnica em ‘looping’, um feitiço do tempo, onde não há magia que impeça que esse jovem negro seja assassinado, repetidas vezes pelo policial Merk, vivido pelo ator Andrew Howard. Seja ao tomar uma gravata ou levar um tiro: ele sempre morre. Após suas mortes, Carter acorda e vê tudo aquilo de novo de forma torturante. 

Inclusive, a história é muito semelhante ao episódio 3, da primeira temporada de ‘Além da Imaginação’ (originalmente The Twilight Zone), produzido por Jordan Peele para Prime Video. O episódio se chama ‘Replay’ e mostra a história de uma mãe tentando evitar a morte do filho negro por um policial branco usando a função de rebobinar uma câmera antiga. Mas independente da possibilidade de se voltar no tempo e das diferentes linhas que os personagens negros tomem, o policial sempre acaba aparecendo e matando-o. 

A diferença está exatamente ai: na série, o que a personagem usa como recurso para voltar no tempo e tentar impedir a morte do seu filho por este policial branco é uma velha câmera VHS. No filme da Netflix, o retorno automático a cada vez que o protagonista é assassinado. 

CRÍTICA SOBRE O CURTA

Qualquer um pode dizer que a criação do curta foi pensada para iniciar uma conversa sobre racismo e violência policial, mas toda narrativa pode ser redirecionada. O assunto do filme é pesado e chocante para quem nunca presenciou ou até mesmo viveu uma situação parecida.

O problema é que já existem diversos filmes e séries com o mesmo olhar: a criminalidade policial. Com tantos casos recorrentes e presentes nos noticiários brasileiros e mundiais, poderíamos ter alguma produção que realmente se aprofunde nesse assunto.

OSCAR 2021

Com pontos positivos e negativos, a obra foi indicada ao Oscar deste ano como o Melhor Curta e acabou vencendo.

Hoje a polícia vai matar três pessoas. E amanhã. E depois de amanhã. E a maior parte dessas pessoas vai ser negra. Peço a vocês que não sejam indiferentes à nossa dor”, disse Travon Free, ao lado de Martin Desmond Roe, também codiretor do curta.

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