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CRÍTICAS

‘Sitara: Sonhando com as Estrelas’ é uma animação com muito mais a mostrar

Lançado em 2020, o filme tenta destacar a questão do casamento infantil, além de provar como uma animação pode dialogar, mesmo sem nenhuma fala

Para você que está com pouco tempo e quer assistir algo para refletir, o curta Sitara: Sonhando com as Estrelas é a escolha perfeita. Lançado em 2020, o filme tenta destacar a questão do casamento infantil, além de provar como uma animação pode dialogar, mesmo sem nenhuma fala.

Dirigido por Sharmeen Obaid-Chinoy, o curta conta a história de uma garota paquistanesa que sonha em ser pilota de avião, mas não imagina que seu destino é outro: um casamento arranjado por seu pai com um homem bem mais velho.

Apesar de a história ser envolvente, o título é uma questão confusão e mal traduzida. O original é Sitara: Let Girls Dream, que seria algo como “Sitara: Deixe as Meninas Sonharem“, o que reflete muito melhor o enredo do filme. A tradução escolhida acabou sendo um subtítulo raso perto da profundidade da história original.

Reprodução/Netflix

Um destaque em todo o enredo é o fato da trama ser dirigida por um olhar de quem vivencia essa cultura de perto. Com dois prêmios Oscar – Melhor Documentário Curta-Metragem em 2012 e 2016 – a diretora mostra sua visão apurada para a realidade e consegue aplicar com sucesso em sua animação.

Sem diálogos, o filme utiliza personagens expressivos para contar a história que se passa no Paquistão, em 1970. As cores vibrantes e detalhes da cultura paquistanesas são trazidos com imensa propriedade por Sharmeen e pela equipe da Waadi Animations. Vale lembrar que em 2015, a produtora foi o responsável por elaborar o primeiro longa paquistanês em animação (“3 Bahadur “).

A beleza infantil da história é quebrada por uma interrupção de sonhos, uma história onde não há um vilão, a não ser a própria cultura. Era  assim no Paquistão em 1970. E ainda é assim atualmente, e às vezes de maneira mais violenta, em muitos outros lugares do mundo. Além de conhecer, refletir e indagar sobre novos olhares, o curta acaba expondo a força da animação fora dos arredores de Hollywood.

Sem muito spoiler, a diretora traz uma história universal, atual e com um recado muito importante: toda mulher tem o direito de escolha e sempre deve ser tratada com respeito e dignidade desde a infância.

AUMENTO DO CASAMENTO INFANTIL

No entanto, a história contada na animação é muito comum em comunidades tradicionais da Ásia, desde o arquipélago da Indonésia até a Índia, Paquistão e Vietnã. Em uma entrevista ao portal O Tempo, Shipra Jha, da ONG Girls Not Brides, relata que a situação das meninas dessas regiões piorou diante da pandemia: “Todas as conquistas da última década vão sofrer“, disse ela, se referindo as lutas para que essa prática seja deixada para trás.

“O casamento infantil está firmemente enraizado na desigualdade de gênero e nas estruturas patriarcais. O que acontece é que se agravou com a Covid“, acrescenta.

Vale lembrar que cerca de 12 milhões de meninas se casam a cada ano antes dos 18 anos, segundo a ONU.  A organização ainda alerta que, se não forem adquiridas medidas urgentes diante do impacto econômico e social do coronavírus, na próxima década acontecerão mais de 13 milhões de casamentos infantis.

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